terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NUMA MANHÃ DE ABRIL...

Os transeuntes passam de um lado para o outro, absortos.

Gente daqui. Gente de lá.

O homem, sorrindo, sentado no banco, vendo a cidade passar, crescer, cumprimenta tantos, outros tantos, uns tantos que passeiam, outros que vão, que vêm, sem nunca parar.

Tantos daqui. Tantos de lá.

Subindo e descendo a Avenida Santo Antônio.

O homem se vai.

Dá um adeus descontraído.

Sob o sol do sábado, os transeuntes andando pra lá e pra cá. Vindos daqui. Vindos de lá...


marilia j.

domingo, 13 de dezembro de 2009

FIM DE SEMANA NO CINEMA

Dois dias, duas idas ao cinema. É certamente um recorde nesse ano em que me dediquei a aprender a me dedicar mais aos estudos.

Dois filmes, lançamentos.

“Abraços Partidos”, de Almodóvar e “A princesa e o sapo”, animação da Disney.

No sábado, Almodóvar e Penélope Cruz. Barbada de filme bom? Errado. O filme é pesado. Não faz sentido, não surpreende. A foto é belíssima. Penélope Cruz fica bastante interessante posando de Audrey Hapburn. E só. Não fui pro cinema ver um álbum de fotografias. Não me espanta que seja fruto de uma enxaqueca. Saí meio injuriada, exceto pelo belo Tamar Novas, de encher os olhos, no papel de Diego – aguardo vê-lo num bom papel. Ah… se alguém aí viu, talvez possa me explicar qual a do roteiro de história de vampiro que o Diego tava tentando escrever… aff.

tamar_novas

No domingo, hoje, acabei de chegar de “A princesa e o sapo”. Animação da Disney, em 2D. Uma princesa negra, na verdade, garçonete. Workaholic. Um príncipe quebrado e fanfarrão. Um bruxo vodu. Um crocodilo músico. O príncipe vira sapo. A princesa beija o sapo e… vira sapa. Mas o mais lindo e surpreendente é certamente o vaga-lume Ray. Ele ama uma estrela. A estrela mais brilhante.

Gosto de histórias de amores possíveis. Voltei pra casa melhor.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

RETRATO, QUASE UMA FOTOGRAFIA


Eu cansada,

Triste, desalmada.

Enxovalhada, decidida,

Libertada.

Viva, constrangedoramente viva,

Mas desesperançada.

Eu cega,

Sonolenta, renovada.

Eu cansada, chata,

Menstruada.

Eu forte,

Ilimitada.

Eu violentada,

Respirando, ainda respirando.

Eu amordaçada,

Gritando, sempre gritando.

Eu revolta,

Revoltada, assanhada,

Maquiada, fingida,

Revolucionária.

Eu outra,

Mentindo.

Eu outra,

Criando,

Eu outra,

Parindo.

Eu muitas.

Eu desfeita, ninguém.

Eu maquiavelicamente múltipla

Revolucionariamente mártir,

Mas teimando em não morrer.

Desafinado mais que aceitando.

Eu cansada,

Violentada,

Revoltada,

Menstruada,

Fingindo,

Mentindo,

Parindo,

Criando,

Sentindo.

Eu mulher.


marilia j.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TODAS AS CARTAS DE AMOR

O Fernando Pessoa dizia que todas as cartas de amor são ridículas.

Tudo leva a crer, entretanto, que o problema não estava nas cartas e sim nos apaixonados que as redigiam. Afinal, hoje em dia, acho que ninguém mais usa cartas. Nos máximo scraps de amor...

E vídeos, claro, nesta nossa mais multimídia de todas as eras.

Não é que seja ruim ser ridículo, ao menos nesse aspecto. Pelo contrário. Os apaixonados são bonitinhos em seus arroubos... Deixam a vida dos empedernidos (como eu) mais leves...

Por isso, não podia deixar de compartilhar com vocês a performace do meu irmão menor, apaixonadíssimo, usando as palavras (e gestos) do "Rei" Roberto Carlos para xavecar sua namorada:



Não é adoravelmente ridículo?? Mas, digamos, hoje o poeta estaria a dizer: "todos os vídeos de amor, se há amor, têm de ser ridículos..."

Esse o poema, completo:


TODAS AS CARTAS DE AMOR SÃO RIDÍCULAS

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

(Álvaro de Campos/Fernando Pessoa)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

SANTO ELÓI

Santo elói

A Igreja Católica tem umas coisas muito engraçadas. A mais engraçada delas, certamente, é o critério para escolha dos santos. Alguns tiveram de morrer de forma dolorosa ou suportar os mais duros suplícios para alcançar a santidade. A outros bastou se manter casto, ou morar numa montanha. São Simeão morou numa coluna.

Por isso, às vezes me dou a reparar a história do santo de cada dia. Às vezes encontro santidades curiosas. Foi o que aconteceu hoje, 1º de dezembro, dia  dedicado a Santo Elói.

Santo Elói é padroeiro dos ourives, tendo ele mesmo se dedicado a tal arte. Aliás, segundo a pesquisa que empreendi, o principal feito de Elói dizia respeito exatamente a sua profissão.

Conta a história que ali pelo começo do Século VII, o Rei Clotário, dos Francos, juntou uma quantidade de ouro para que lhe fizessem um trono. Tendo procurado diversos ourives, todos lhe disseram que seu ouro era insuficiente. O rei, que era Clotário e não otário, resolveu procurar o ourives Elói e perguntar-lhe se o ouro de que dispunha era suficiente para fazer-lhe um trono.

Elói avaliou o ouro como suficiente e foi contratado pelo Rei. Entretanto, vendo que o ouro era mais que suficiente, fabricou não apenas um, mas dois tronos e entregou ao Rei.

Não está exatamente descrito porque Elói resolveu fazer outro trono e não devolver o ouro que sobrara. Isso nos dias de hoje teria ido parar no Juízado, pela clara afronta ao Código do Consumidor. Mas o fato é que Clotário se encantou com a honestidade incomum de Elói e ele passou a ser guarda do tesouro do Rei e seu ourives oficial. Mais adiante, dizem as fontes consultadas, Elói foi “promovido” a bispo da Igreja Católia (só Jesus entende a hierarquia administrativa da época) e, após sua morte, em 1° de dezembro 660, foi canonizado.

Concluo que Elói era tão honesto que virou santo. Vê-se, portanto, que a honestidade dos prestadores de serviços era tão espantosa antes como hoje. Só me resta saber se atualmente há algum que sobre à canonização.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O NATAL ME PIORA

Isso mesmo. Enquanto todos falam das encantadores luzes de Natal, da confraternização universal e exercem a grandiosa capacidade humana de se tornar um humano melhor por 15 dias durante o ano, eu fico irremediavelmente pior.

As musiquinhas do natal me irritam.

O excesso de luz me irrita.

Todas as decorações de Natal são bregas. E me irritam.

A súbita bondade de todos é o que mais me irrita.

Hoje em dia tudo é politicamente correto.

Há lugares para fumantes e não fumantes. Deviam fazer lojas para pessoas que não gostam de natal. Assim elas não seriam obrigadas a ouvir gritos de crianças mal educadas escolhendo presentes, ou com medo do velho rosado sentado no meio da praça de eventos. Se existisse uma ala de não natalinos no shopping eu certamente ainda iria lá esse ano. Como não há, fico em casa. Se precisar de alguma coisa, peço pela internet.

Sim, eu sou mais chata que o Mr. Scrooge e nem os espíritos do natal presente, passado e futuro, juntos e reunidos vão me convencer que essa época do ano infernalmente quente, com o pior trânsito e com as pessoas mais mal educadas (sim, porque todos deixam o espírito de natal em casa quando vão às aglomerações) é o momento em que as pessoas acham para externar sua bondade.

Desse modo, passo o ano todo cordial, civilizada. Mas quando chega o Natal, eu fico muito mais chata. O Natal me piora. Definitivamente.

domingo, 29 de novembro de 2009

DO CANSAÇO (à moda de Kafka)

- Eles ali sim são estranhos?

- E por que são estranhos?

- Imagine que não dormem?

- E por que não dormem?

- Não dormem porque não estão cansados.

- E nunca se cansam?

- Não se cansam nunca, porque são tolos.

- E os tolos não se cansam?

- E como poderiam cansar-se os tolos?

sábado, 21 de novembro de 2009

A BATALHA DO PACAEMBU

E todo mundo que vem aqui e ganha do Náutico sai logo alardeando que venceu uma “Batalha dos Aflitos”.

Esse ano não foi de alegrias, é certo. Com o Gloriso à beira do rebaixamento, o Corinthians vinha devolver a “gentileza” de antes, certo de mandar o Timbu à série B.

O começo do jogo foi tenso, mas quase no fim do primeiro tempo, Bruno Mineiro abriu o placar. Alívio? Esperança? Certamente. Ele ainda perdeu um gol quase feito antes de sair de campo para o intervalo.

Mas na volta, parecia que a lógica ia prevalecer.

Ronaldo fez um gol, logo aos cinco minutos.

Bruno Mineiro, menino fazedor de gols, foi expulso. Logo em seguida, Elias fez o segundo. Virada do Corinthians. Tudo acabado. Eu desliguei o PC e continuei meus estudos, já me sentindo na velha Segundona: Pacaembu, um a menos, Ronaldo fazendo gol…

De repente, os fogos lá fora anunciaram que talvez não estivesse tudo acabado.

Aos 39, quem diria, o habitual ceifador do Corinthians, Carlinhos Bala, fez um. Empate. Não era um resultado que servisse, mas, enfim, eram só mais uns seis ou sete minutos de esperança. Resolvi acompanhar.

E aos 45, um pênalti a favor do Náutico. Não era possível.

Era.

Aílton converteu, o jogo acabou aos 48, com placar de 3x2 para o visitante que ganha agora, já na reta final, seu segundo jogo fora de casa. Não respira aliviado, mas continua com chances de permanecer na “elite” do futebol.

Isso sim, é uma batalha.

Mas quem na grande imprensa falaria em uma “Batalha do Pacaembu”?

cartao_nautico_t

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NÃO GASTA


Tenho as pernas finas de andar

E os olhos tristes de olhar

E a vida gasta de viver


E nem por isso desisto

Seja de olhar, seja de andar, seja de viver

E vivo, porque de amar o coração não gasta



marilia j

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O DEUS DE OURO

A Igreja de Ouro era no centro da cidade miserável.

Desde tempos imemoriais que lá havia missas e gente de todo o tipo ia rezar para o Deus de Ouro. Folhas de Ouro coladas pelos escravos com óleo de baleia.

E também desde sempre que havia gente a quem não era dado partilhar de todo aquele Ouro e do Deus que nele se abrigava. Gente que se limitava a ficar na porta e pedir esmolas, em geral, “por amor de Deus”.

Simeão era um desses excluídos. Desde criança, quando nem mais se lembrava, começou a fazer parte da cidade miserável. E, já velho, resolveu ficar na porta de Igreja de Ouro, para ver o semblante dos que acreditavam em Deus e no Ouro. Ele, não. Não acreditava no Deus que deixava morrer de fome suas criaturas para se esconder num templo de ouro pregado com óleo de baleia.

Já fazia dez anos que todos os dias Simeão ia à porta da Igreja e pedia esmolas. E assim viveu sempre. Acostumou-se a ver as devotas e os juízes que entravam na Igreja, ao sair do Fórum (Simeão sempre se perguntou se eles iam pedir ajuda ou se iam pedir perdão). Via também estudantes, donas de casa, desempregados e aspirantes a suicida.

As moedas pingavam e Simeão foi vivendo sem jamais haver entrado na Igreja.

Naquele dia, a senhora, bem vestida, radiante, disse à outra, que lhe acompanhava, que iria agradecer um milagre recebido. Não disse o que pedira. Talvez dinheiro, ou, quem sabe, tivesse sido curada de uma doença que lhe incomodava. Pouco importa. O certo é que a palavra milagre ressoou nos ouvidos de Simeão.

Simeão quis também seu milagre. E se Deus dava milagres a seus filhos, ele também teria um milagre, pois que ele, Simeão, era filho de Deus. E durante toda aquela tarde, nunca se soube de ninguém que tivesse tido mais fé do que ele.

No fim da tarde, Simeão estava decidido a ter, ele também, um milagre.

Levantou-se solene. Tentou desamassar a camisa, colocando-a por dentro da calça. Assim preparado, colocou o pé direito no umbral da antiga capela e pediu, com toda a fé adquirida no correr das horas passadas, para ele, todo o ouro com que fora ornada a capela.

Ele pediu aquelas toneladas de ouro para si, para nunca mais pedir esmolas, para dividir com todos os miseráveis da cidade miserável, para ter cama, café da manhã, sapato e um dente de ouro.

Ele entrou na Igreja. Não rezou. Não sabia rezar. E foi-se para sua palafita – feliz.

Mas quando acordou, ainda estava sobre o papelão, sem café, sem sapato e sem dente de ouro. A cidade continuava tanto ou mais miserável. Ele teria de voltar à Igreja de Ouro e pedir esmolas. Não havia milagres em sua vida.

Nunca mais acreditaria em Deus novamente.

marilia j.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

PRO CHICLETE


Sinto falta do gosto de família.
Faz tempo que saí de casa - uns sete anos, mais ou menos.
Tenho contato diário com minha casa, principalmente com minha mãe, mas não tenho rotina de família.
Nem lembro a última vez que comi numa mesa posta em casa.
Vejo TV sozinha. Quando chego em casa, só a luz do meu quarto fica acesa.
Mas aí vêm essas coisas terríveis que acontecem para o nosso bem.
A notícia de que vovó estava seriamente doente se abateu sobre mim como uma coisa inexorável.
E, é claro, a impotência e a culpa da neta que passa meses sem ver a vó agrava bastante a situação.
Meus pais me convocaram de uma forma pacífica. Tão pacífica que eu eu temi que algo de terrível estivesse acontecendo.
A estrada nunca foi tão longa.
Mas qual não foi minha surpresa: quando eu cheguei, vovó, embora um pouco abatida, estava à mesa, tomando café. Contra todos os prognósticos.
Há muito tempo não via tanta gente na casa modesta em que vovó mora desde que o mundo é mundo. Barulho e algazarra de quando gente que raramente se vê volta a se encontrar.
Alívio no rosto de todos.
E comida. Muita comida. Pra comer fazendo barulho.
Eu, que há tanto tempo me acostumei com a idéia de que a casa é um lugar silencioso, até me agoniei um pouco.
Mas aí fui sentindo aquele gosto perdido.
Não o gosto daquelas comidas típicas e pesadas que se come lá pras bandas de casa.
Gosto de família.
E no final, quando eu já ia sair, minha vó me chamou num canto e botou uma nota na minha mão. "É pra o chiclete da viagem", me segredou.
É, as vós são assim.
Voltei pra casa mais leve. Diria até que feliz.


*Na foto, eu vovó e meu irmão.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

INEXPLICÁVEL

A vida é qualquer coisa de inexplicável

Não porque eu nada saiba de cromossomos.

O inexplicável da vida

Está no conjunto das cores

E na capacidade do Sol

De a cada dia se reinventar

E trazer consigo um brilho novo.

O inexplicável da vida está nos sabores

Nos gestos,

Nos olhos.

 

O inexplicável da vida está em pensar

Que no escuro das noites choradas em branco

Os poetas tristes

Fazem os versos que alegram

Os dias claros dos amantes.

 

marilia j.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

eu queria escrever uma história entre dois pontos finais

A medida de tudo nunca é certa pra nada...
Não quero o equilíbrio.
Quero a dor até o limite da dor.
Quero o amor até o infinito.
Quero tempo só por um instante.
Um só instante de eternidade.
Sem angústia, medos nem regras.
Quero a verdade até onde ela possa alcançar.
Quero andar no labirinto sem novelos de lã.
Quero a loucura nas noites de verão.
Quero a brisa e quero a lua.
Quero todas as coisas que vêm do não amor.

Porque nem nos sonhos te tenho.
No peito, sem ar.
E os braços, vazio.
E do que vem de ti, so a distância.

Eu canto uma canção tão triste que nem Neruda sabe contar.

marilia j.
03/11/2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

SENTIDO

e quando chega a primavera
suspiro...

não é que tudo mude,
mas as praças...
ah!
as praças só fazem sentido
nos dias de primavera...


(marilia j.)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

ALGO QUE ME CORRÓI

Todos temos dúvidas existencias. Umas maiores, outras menores...
Eu, por outro lado, tenho de dizer que nada me causa maior inquietude do que saber que, segundo o orkut, eu sou 90% sexy...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

DIVINA MOLECAGEM

Antes do almoço,
O menino Jesus
Come nuvens de algodão doce...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

OLIMPÍADA

Não é só pra ser do contra. Mas é como sou. Não gosto de Olimpíadas - nem aqui nem na China...

domingo, 27 de setembro de 2009

COMPANHEIRO

Nunca fiz o tipo materialista.

As coisas pra mim vão e vêm e acho que não há nada que eu diga que não posso viver sem.
Contudo, algumas coisas são marcantes. A gente se desfaz delas, mas sempre com a certeza de que estarão em nossas memórias.

Foi assim com meu palhaço de duas caras. Ele chorava em um lado da cabeça e ria do outro. Meu primeiro contato com a dialética. Um dia, tive de dá-lo a uma criança sem brinquedos. Ele seguiu seu destino, mas nunca me esqueci dele.

E assim, muitas coisas passam como assessórios de nossas histórias, marcam nossas vidas. E depois passam.

E foi assim que me desfiz do meu primeiro carro, ontem.

Fiat Pálio vermelho, mais conhecido como Chapolin Colorado e comprado com financiamento à la "Casas Bahia". Foi o primeiro carro que dirigi, logo no primeiro dia de carteira. Com ele, rodei quase 40 mil quilômetros, a maioria deles nas estradas do Nordeste. Meu companheiro de Fortaleza a Salvador, de Recife a Petrolina. Era nele que eu fugia pra pensar, pra cantar, pra fugir. Foi a primeira coisa grande que adquiri com meu trabalho.

Agora vai rodar outras estradas, transportar outras histórias.

Mas eu vou sentir saudades dele. E como vou...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PAIXÃO

Quando mais nada fazia sentido
E quando o dia não era mais que o sol
Dando a volta pela terra
Em vinte e quatro chatíssimas horas.
Quando o que eu queria mesmo
Era parar o bonde
E essa brincadeira chata
De acordar toda manhã,
Pois que bem nessa hora,
Subitamente,
O coração bateu mais forte
Os olhos voltaram a brilhar,
Ouvi a música que tocava longe
E tudo me pareceu mais bonito.

Acho que estou apaixonada.
Pela vida.

marilia j.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O MEU PRÓPRIO POEMA DO BECO

Antigamente,
Tinha muita pena do Bandeira,
Pobre poeta tísico
Que quando olhava da janela
Só via o beco.

Mas será que alguém tem pena de mim
Que além de não ser poeta,
Não tenho beco
E nem janela?

marilia j.